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Desigualdade de desempenho na Educação Básica dentro dos estados

Desde o Relatório Coleman (1965), sabemos que os fatores extraclasse são os principais responsáveis pelo desempenho escolar de um aluno. O nível socioeconômico da família é a variável mais fortemente correlacionada com o seu desempenho, mais até do que qualquer característica pedagógica, da escola ou do professor.

Nesse post, utilizamos os micro dados recém-divulgados da Prova Brasil 2017 para analisar como se comporta essa correlação dentro de cada estado e ao longo das etapas de ensino da Educação Básica.

Utilizamos como medida a escolaridade da mãe, apontada pela literatura como um bom prognosticador de nível socioeconômico. Para facilitar a visualização, separamos as mães entre aquelas que não completaram o Ensino Médio e aquelas que têm Ensino Médio completo ou mais.

Analisando os gráficos abaixo, notamos que filhos de mães mais escolarizadas têm melhor desempenho em Língua Portuguesa e Matemática em todos os estados brasileiros e para todas as etapas de ensino. Contudo, alguns pontos chamam a atenção:

  • No Ceará, no Ensino Fundamental I (1º ao 5º ano), é menor a diferença entre as notas médias dos filhos de mães mais ou menos escolarizadas. Um aluno com maior nível socioeconômico no Ceará tem nota média em Matemática 18,8 pontos superior à de um aluno de baixo nível socioeconômico. Já na Paraíba, essa diferença é de quase o dobro: 35 pontos.
  • Na Região Norte, no Ensino Médio, há uma diferença menor entre as notas médias dos alunos filhos de mães mais ou menos escolarizadas. Em todos os estados da região, a diferença de notas está abaixo da média brasileira.
  • Em todo o país, a diferença das notas médias entre alunos com mães mais ou menos escolarizadas é maior nos primeiros anos do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano), e menor no Ensino Fundamental 2 (6º ao 9º ano) e no Ensino Médio.
  • Entre o início e o fim do Ensino Fundamental, há um aumento do desempenho (proficiência em matemática e português) dos alunos, independente do nível socioeconômico. Porém, entre o fim do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, o ganho de desempenho é menor  – o nível de proficiência dos alunos que terminam o ensino médio melhora muito pouco em relação aos alunos que concluem o Ensino Fundamental (independente da escolaridade da mãe).

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